Brasil assassino de bebês: país que mata tubarões e permite a pesca ilegal em suas águas

Assassino de bebês

Final de 2025 você dever ter visto nos grandes jornais televisivos o caso das apreensões de barbatanas de tubarão no Brasil, a serem exportadas ilegalmente. Foram pelo menos duas apreensões no nordeste, totalizando aproximadamente 400kg apenas de barbatanas. E como as barbatanas são aproximadamente 4% do peso total do animal, isso significa que 10.000kg de animais foram mortos. Isso mesmo: 10 toneladas. Provavelmente quase MIL animais foram mortos. Mas infelizmente este não é um caso raro e nem sequer novo.

O Brasil apesar de conhecido por sua vasta zona costeira e rica biodiversidade marinha, vem recentemente sendo chamado internacionalmente de Assassino de Bebês. Enfrentamos uma crise ambiental silenciosa que coloca em risco um dos pilares de seu ecossistema oceânico: os tubarões. Esses predadores do topo da cadeia alimentar desempenham um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico dos mares, regulando populações de outras espécies e garantindo a saúde dos recifes de corais e outros habitats marinhos. No entanto, a realidade é que o Brasil não apenas falha em proteger esses animais, como também tem permitido a destruição de suas populações por meio de práticas de pesca insustentáveis e ilegais.

A Matança de tubarões no Brasil

Os tubarões, especialmente no Brasil, estão sendo dizimados em uma escala alarmante. Essa destruição é motivada, em grande parte, pela demanda global por barbatanas de tubarão, uma iguaria que, embora proibida em muitos países, ainda encontra mercados abertos na Ásia e, infelizmente, em partes do Brasil. A prática do finning, a remoção das barbatanas de tubarões e o descarte do corpo do animal ainda vivo no mar, é uma das principais responsáveis por esse declínio populacional. Estudos recentes revelam que milhões de tubarões são mortos anualmente nas águas brasileiras.

No vídeo abaixo, Brasil, assassino de bebês, é mostrada a triste realidade de filhotes de tubarão sendo brutalmente capturados e mortos. O termo assassino de bebês é utilizado para descrever a crueldade dessa prática, na qual os tubarões recém-nascidos são mortos sem a menor chance de contribuir para a regeneração de suas populações. O vídeo também destaca como a pesca predatória no Brasil não discrimina entre espécies, incluindo várias que estão em perigo crítico de extinção.

A regulamentação das atividades pesqueiras no Brasil é frágil, com pouca ou nenhuma fiscalização, permitindo que tanto pescadores industriais nacionais quanto estrangeiros atuem impunemente em nossas águas. Em vez de adotar uma postura firme de proteção às suas águas territoriais, o país tem sido cúmplice da destruição de seus próprios ecossistemas marinhos.

A Ameaça da pesca ilegal por navios estrangeiros

Além das embarcações brasileiras envolvidas na captura de tubarões, o Brasil tem permitido, por meio de falhas na fiscalização, que embarcações de países como a China explorem ilegalmente os recursos marinhos em suas águas territoriais. Essas embarcações, operando de forma clandestina, frequentemente pescam em zonas de exclusão ou áreas de proteção ambiental, capturando toneladas de peixes, tubarões e outras espécies ameaçadas. A pesca industrial chinesa é notoriamente associada a práticas predatórias e a violações de normas internacionais de pesca sustentável. E isto nos faz ser conhecidos como os assassinos de bebês.

A situação se agrava pela falta de uma ação governamental eficaz para deter essa prática. Satélites e sistemas de monitoramento marítimo são amplamente subutilizados, e as multas e sanções impostas aos infratores são, muitas vezes, insignificantes, não servindo como um verdadeiro dissuasor. Além disso, a captura ilegal de tubarões por esses navios estrangeiros é amplamente ignorada pelas autoridades, que permitem que a pesca ilegal continue com pouca ou nenhuma interrupção.

O impacto dessa pesca ilegal vai muito além da destruição das populações de tubarões. Ela também afeta negativamente as comunidades pesqueiras locais, que dependem dos recursos marinhos para seu sustento. Com a captura desenfreada, muitas espécies de peixe têm seus números drasticamente reduzidos, prejudicando a pesca artesanal e a subsistência de milhares de brasileiros que vivem em áreas costeiras.

O papel internacional na proteção dos tubarões

A Divers for Sharks, por exemplo, tem promovido a ciência cidadã e incentivado o público a mapear avistamentos de tubarões, criando um banco de dados valioso para pesquisadores e gestores ambientais. Essas campanhas são essenciais para engajar a população e pressionar governos e empresas a adotarem práticas mais sustentáveis.

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No vídeo citado, é possível entender porque o Brasil é chamado de assassino de bebês e ver como os esforços de conservação de tubarões têm crescido em escala global, com a criação de áreas marinhas protegidas e a imposição de restrições comerciais ao comércio de barbatanas. O objetivo dessas iniciativas é não apenas preservar as espécies de tubarão, mas também proteger os ecossistemas marinhos como um todo, que dependem de sua presença para manter um equilíbrio saudável. As organizações internacionais também têm pressionado por maior fiscalização e responsabilização de países, como o Brasil, que falham em proteger suas próprias águas e permitem a pesca ilegal.

A urgência de ação no Brasil

Para que o Brasil possa enfrentar essa crise e deixar de ser chamado de assassino de bebês, é necessário um comprometimento sério por parte do governo e da sociedade. Algumas medidas essenciais incluem:

1. Fortalecimento da fiscalização pesqueira: O Brasil precisa melhorar a vigilância de suas águas territoriais, utilizando tecnologias de monitoramento como satélites e drones para detectar e interromper atividades ilegais. É necessário aumentar o número de operações de fiscalização em áreas críticas e penalizar com rigor os infratores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

2. Proibição da prática de finning: Embora a prática do finning seja tecnicamente proibida em muitas regiões, sua aplicação é negligente. O Brasil deve implementar uma proibição mais efetiva, com inspeções regulares em portos e embarcações, além de reforçar a legislação contra essa prática.

3. Apoio à criação de Areas Marinhas Protegidas (MPA en inglês): A criação de áreas marinhas protegidas, onde a pesca seja totalmente proibida, é essencial para permitir a recuperação das populações de tubarões e outros peixes. Conheça as duas maiores já criadas com a ajuda da Divers for Sharks aqui!

4. Educação e conscientização: A sociedade brasileira precisa estar mais informada sobre o impacto da pesca de tubarões e sobre o papel vital que esses animais desempenham no ecossistema marinho. Campanhas de educação pública, como as promovidas pela Divers for Sharks, são fundamentais para mudar a percepção e reduzir a demanda por produtos derivados de tubarões.

5. Colaboração internacional: O Brasil deve colaborar mais ativamente com iniciativas globais de conservação marinha, unindo forças com organizações internacionais para combater a pesca ilegal e promover a sustentabilidade nos mares.

Conclusão

A destruição das populações de tubarões no Brasil é um problema ambiental grave que demanda ação imediata. O país precisa se unir aos esforços globais de conservação e adotar medidas rigorosas para proteger seus ecossistemas marinhos. A omissão diante da pesca ilegal e predatória não é apenas uma falha de governança, mas uma sentença de morte para nossos oceanos e, por consequência, para nós mesmos. Cada tubarão que desaparece representa um ecossistema mais frágil e um futuro marinho cada vez mais incerto. O tempo de agir é agora.

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Autor desse post

Paulo Guilherme "Pinguim"

Mergulhador, ativista e fundador da Divers for Sharks.

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