O Lixo Tóxico no Seu Prato: Como o Brasil Legaliza o Finning Global

Despejo de carne de tubarão: Eles ficam com o Ouro e entregam Lixo

Você provavelmente já comeu cação. Talvez tenha servido para seus filhos, acreditando ser uma proteína saudável, barata e sem espinhas. O que o rótulo do supermercado não te contou — e o que a indústria pesqueira internacional luta para esconder — é que aquele filé branco no seu prato não é apenas um animal em extinção. Ele é a peça fundamental de uma engrenagem criminosa global.

O Brasil não é apenas um consumidor de carne de tubarão. Nós nos tornamos o maior importador do mundo. E o motivo não é porque nossa culinária exige isso, mas porque aceitamos ser o “lixão” onde as potências pesqueiras despejam o que sobra de sua caça predatória às barbatanas.

A "Lavagem" do Finning: Entenda o Golpe

Para entender por que o cação é tão barato no Brasil, você precisa entender o conceito de Finning (a prática de cortar as barbatanas do tubarão e jogar o corpo, ainda vivo, de volta ao mar para sangrar até a morte).

O finning é crime em grande parte do mundo e gera repúdio internacional. Para contornar isso, as frotas pesqueiras de países ricos (especialmente da União Europeia e da Ásia) adotaram a política de “desembarque integral”. Eles são obrigados a trazer o corpo do tubarão para o porto.
Aqui nasce o problema econômico deles: a barbatana vale uma fortuna no mercado asiático (podendo chegar a centenas de dólares o quilo). A carne do tubarão, por outro lado, tem baixíssimo valor comercial nesses países. Ela ocupa espaço no freezer do navio e vale centavos.
Para eles, a carne é lixo. É um subproduto incômodo que eles são obrigados a carregar para legalizar a venda das barbatanas.
É aqui que o Brasil entra. Para se livrarem desse “lixo” e não serem acusados de desperdício ou finning, essas frotas exportam a carne a preços irrisórios, muitas vezes subsidiados, praticamente de graça. O Brasil compra esse refugo tóxico, rotula como “cação” e vende para a população de baixa renda.

Ao comprar cação, você não está apenas comendo tubarão. Você está subsidiando a logística que permite que o massacre global dos oceanos continue operando dentro da lei.

Colonialismo Gastronômico: A Nova Venda de Lixo Tóxico

Durante décadas, países ricos pagaram para despejar lixo hospitalar, resíduos eletrônicos e lama tóxica em países em desenvolvimento. A lógica é simples: “Tire o problema do meu quintal e jogue no quintal dos pobres”.

Com o tubarão, a lógica é a mesma, mas com um agravante macabro:

Nós estamos comendo o lixo deles.

Países como a Espanha, Portugal e nações asiáticas ficam com o lucro astronômico das barbatanas e a “fama” de estarem regulamentando suas pescas. Para o Brasil, enviam as carcaças de Tubarão-azul (Prionace glauca) e Anequim (Isurus oxyrinchus), espécies cujas populações colapsaram em 90% ou mais em várias regiões.

Nós estamos importando a extinção alheia. Estamos pagando para limpar a cena do crime ambiental cometido em águas internacionais.

O Crime Sanitário: Veneno no Prato do Pobre

Se a questão ambiental não for suficiente para te fazer largar o garfo, a questão de saúde pública deveria ser. E se não acredita em mim, leia o que a Fiocruz fala neste artigo aqui.

Tubarões são predadores de topo de cadeia. Eles bioacumulam tudo o que suas presas comeram ao longo da vida. Isso significa que a carne de tubarão contém níveis altíssimos de metais pesados, especialmente o metilmercúrio, além de arsênio e chumbo.

O metilmercúrio é uma neurotoxina potente. Ele atravessa a barreira placentária. Quando uma gestante come cação, muitas vezes recomendado por médicos desinformados como uma “carne leve”, ela está enviando doses de mercúrio diretamente para o cérebro em formação do feto. É a doença de Minamata

Estamos falando de danos neurológicos irreversíveis, problemas motores e cognitivos. E quem é a maior vítima? A população brasileira mais pobre, que busca no cação uma alternativa à carne bovina, cujo preço disparou.

É um crime sanitário disfarçado de comércio exterior. Estamos intoxicando nossa própria população para garantir o lucro de frotas estrangeiras.

E isso sem falar em cocaína encontrada na carne de cação… Não sabia? Leia mais aqui neste post.

A Realidade Brutal: Não Existe "Colheita Sustentável"

A indústria vai tentar te convencer de que, já que o tubarão foi morto, “é melhor aproveitar a carne do que jogar fora”. Isso é uma falácia perigosa. E uma das espécies que mais está sendo colocada em risco de extinção é o Tubarão Azul.

A existência desse mercado consumidor no Brasil é o que viabiliza a escala industrial da matança. Se o Brasil parasse de importar carne de tubarão hoje, a lucratividade das frotas que caçam por barbatanas despencaria. O custo de armazenar e transportar corpos sem valor comercial inviabilizaria muitas operações.
Ao manter nossos portos abertos para esse “lixo”, mantemos as redes na água.
Nós, da Divers for Sharks, estamos na linha de frente monitorando esses dados, pressionando autoridades em conferências internacionais (como a CITES e a COP) e exigindo rotulagem clara. Não existe “cação”. Existe tubarão. E tubarão é vida selvagem, não comida.
O oceano está gritando. Seus habitantes mais antigos estão desaparecendo para virar sopa na Ásia e filé tóxico no Brasil. A cumplicidade do nosso país nesse esquema precisa acabar, e isso começa no seu prato.
E você? Sabia que ao comprar aquele pacote barato de “cação” no mercado você estava, na verdade, ajudando a indústria internacional a esconder o crime do finning? Conte pra gente nos comentários se você já foi enganado por esse rótulo.
A luta para expor essa máfia pesqueira é perigosa e cara. Nós enfrentamos lobistas gigantes, governos omissos e uma indústria bilionária que lucra com a extinção. Precisamos de recursos para continuar nossas investigações, campanhas educativas e pressão política em Brasília e nos órgãos internacionais. Não deixe que o Brasil continue sendo o lixão do mundo. Junte-se a nós.

👉 Apoie a causa e financie a proteção dos oceanos em d4s.eco.br.

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Autor desse post

Paulo Guilherme "Pinguim"

Mergulhador, ativista e fundador da Divers for Sharks.

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