Impensável imaginar que chegaríamos em uma situação nas organizações teriam que desenvolver uma cartilha para rebater as falas de um ministro do Meio Ambiente. ‘O livro de Mentiras de Ricardo Salles – Um Guia para as Mentiras e Artimanhas Retóricas do Ministro do Meio Ambiente do Brasil’ é o nome do livreto desenvolvido por Greenpeace, ClimaInfo e Observatório do Clima para rebater as falas do atual mandatário da pasta, narrando e criticando as ações, tomadas de decisões do ministro indicado pelo Partido Novo e até as entrevistas na imprensa.

THE Ricardo Salles FAKEBOOK

 

A cartilha em inglês pode ser acessada aqui. Coincidentemente, ela é lançada no momento em que o ministro está em uma turnê no exterior. A viagem é para minimizar o estrago feito pelo próprio governo, causado pelo aumento de desmatamento na Amazônia e pelas queimadas. Em uma ação que contou com a participação e anuência do presidente Jair Bolsonaro.

Para quem não lembra, o Governo Federal gastou semanas tentando desmentir os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pela medição do desmatamento na região desde 1988. Depois, com o aumento das queimadas, acusou Organizações Não-Governamentais de provocarem incêndios na região. Tudo recheado de falta de seriedade, muita retórica, dados questionáveis e fake news, combinação que é conhecida da administração atual.

Com o estrago feito e um medo de um boicote econômico, o Governo mandou o Exército para fazer a fiscalização e repressão de crimes ambientais. Para amenizar o desgaste, o Itamaraty publicou vídeos em inglês sobre a Amazônia e o ministro do Meio Ambiente está em viagem onde se reunirá com governantes, investidores e empresas, no que vem sendo chamado pelas organizações ambientais de ‘Tour da Mentira’.

Para você ter uma ideia, a cartilha faz uma análise mês a mês, as medidas, ações do ministro, como a redução do corpo de funcionários do Ibama e ICMBio, corte no orçamento, críticas ao Fundo Amazônia, esvaziamento do Conama, descrédito ao INPE, e a posição do governo em relação às queimadas na Amazônia, que se iniciaram em agosto deste ano.