São tempos estranhos, onde é necessário muitas vezes falar óbvio. Na área de meio ambiente, a questão em evidência é a ampliação da unidade de conservação do arquipélago de Abrolhos. A pauta parecia encaminhada no início do ano, virou promessa no Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, no entanto parece está travada nas mãos do atual presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro. Tudo porque ele resolveu ficar ao lado dos ‘pescadores artesanais’, como revela João Lara Mesquita no blog Mar Sem Fim do Estadão.

Porém, o ecossistema do arquipélago, as baleias e os próprios pescadores da região, que o atual presidente do ICMBio diz querer ajudar, seriam um dos principais mais beneficiados com a ampliação da área de proteção, como explica José Truda Palazzo, do Instituto Baleia Jubarte e um dos fundadores da Divers for Sharks.

“A pesca artesanal sustentável, na verdade, ganharia muito com a ampliação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, com a proteção de áreas essenciais pro repovoamento dos estoques pesqueiros. Qualquer profissional da área ambiental que se preze sabe isso e pencas de trabalhos científicos estão aí pra provar”, aponta.

Entenda:

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João Lara Mesquita ainda aponta um caminho para tornar a proposta de ampliação viável: uma parceria público-privada. A ideia é bem simples: fazer uma ponte entre os interesses ambientais de preservação e o setor de turismo de observação. Com isso gerar os recursos para sustentar a Unidade de Conservação, além de gerar emprego e renda para quem depende da área para sobreviver. Algo que é viável e traria benefícios a todo mundo que quer ver os corais do Arquipélago de Abrolhos preservados. Mas aí entra a vontade política…

Atualmente, a unidade de conservação protege apenas 1,8% do único banco de corais do Atlântico Sul. É notório que há pesca predatória dentro da área de proteção da região, logo, o argumento de estar ao lado dos pescadores é, basicamente, deixar que o ecossistema seja massacrado. Precisamos de #MaisAbrolhos e menos jogo político. Esse avanço não pode ser postergado para o próximo governo.

Com informações do blog Mar Sem Fim e do Estadão

Veja:

https://www.youtube.com/watch?v=BoG3WhVa8Uw&t=1935s