Reprodução

A reprodução dos tubarões é mais evoluída do que a dos peixes ósseos. Aproxima-se mais das aves e mamíferos, do que dos outros peixes. Nos peixes ósseos cada fêmea produz milhares ou milhões de ovos todos os anos. Estes passam por um estado larval antes de completarem o seu desenvolvimento e a sua taxa de sobrevivência é baixa.

As fêmeas atingem, em geral, a sua maturidade sexual com maior tamanho do que os machos e normalmente procriam em anos alternados. Em todos os tubarões a fecundação é interna, onde o macho insere o seu órgão reprodutor (clásper) na cloaca da fêmea. Os rituais de acasalamento podem ser bem complexos e até violentos para os nossos padrões, são bastante variados conforme a espécie.

Os tubarões produzem um número reduzido de descendentes, mas a probabilidade de sobrevivência é muito maior, pois os filhotes já nascem completamente formados e independentes. São verdadeiras cópias dos adultos com exceção do tamanho. Este modo de reprodução requer um gasto significativo de energia pela fêmea e é bem sucedido quando os adultos apresentam uma longa expectativa de vida.

Os elasmobrânquios desenvolveram três estratégias reprodutivas diferentes: oviparidade, ovoviviparidade (ou viviparidade aplacentária) e viviparidade.

Oviparidade – Consiste na produção de ovos, protegidos por cápsulas de quitina, possuem filamentos para a fixação no substrato marinho. Conforme a espécie o desenvolvimento embrionário pode durar entre 3 e 15 meses, durante esse período o embrião se alimenta de substâncias nutritivas do saco vitelino.

Ovoviviparidade – Este é o tipo de reprodução mais comum entre os tubarões. Os ovos não possuem uma cápsula e desenvolvem-se no interior do útero, onde se completa o desenvolvimento embrionário.

Não existe placenta, por isso os embriões se alimentam a partir do saco vitelino e de ovos nutritivos produzidos pela mãe. Em algumas espécies pode existir o canibalismo intra-uterino, em que os embriões em estado de desenvolvimento mais avançado comem os menos desenvolvidos.

Viviparidade – É a estratégia reprodutiva mais evoluída e mais exigente. Os embriões desenvolvem-se no interior do útero, onde existe uma placenta a que estão ligados através de um cordão umbilical. Nos primeiros meses de vida os neonatos possuem uma cicatriz de nascimento, semelhante a um umbigo, que desaparece com o tempo. Conforme a espécie o período de gestação pode variar entre 10 meses e 24 meses.

Curiosidade: Paternogênese- Existem relatos de reprodução assexuada de tubarões, por partenogênese, ou seja, sem a participação de um macho. São conhecidos três casos, todos eles ocorridos em cativeiro e com três espécies de tubarões diferentes:

  •  1º caso em 2001- Tubarão Martelo (Sphyrna tiburo) ocorrência registrada no aquário do zoológico de Omaha, em Nebraska/ EUA.

Fonte: http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/3/4/425.full.pdf+html

  •  2º caso em 2007– Tubarão Galha-negra (Carcharhinus limbatus), ocorrência no aquário de Norfolk Canyon, na Virgínia/EUA.

Fonte: http://jhered.oxfordjournals.org/content/101/3/374.full.pdf+html

  •  3º caso em 2011- Tubarão-zebra (Stegostoma Fasciatum) ocorrência registrada em um aquário em Dubai/Emirados Árabes Unidos.

Fonte: Annually recurring parthenogenesis in a zebra shark Stegostoma fasciatum David P Robinson MSc and Warren Baverstock et al Journal of Fish Biology Volume 79, Issue 3, Pages 1376-1382, November 2011.